O Corpo Gordo como Símbolo Vivo
Leituras Arquetípicas e Críticas Contemporâneas
Palavras-chave:
obesidade, imagem corporal, controle social, estigma, saúde públicaResumo
Este artigo propõe uma leitura simbólica e crítica do corpo gordo, articulando a Psicologia Analítica com autores contemporâneos da crítica cultural e política. A partir da prática clínica com pacientes em sofrimento relacionado ao corpo e à alimentação, busca-se compreender o corpo gordo não como falha individual, mas como expressão viva de tensões culturais, políticas e psíquicas. Adota-se uma abordagem teórico-conceitual, de caráter crítico, apoiada na análise de conceitos arquetípicos, narrativas culturais e discursos normativos. A investigação compreende o corpo gordo como símbolo arquetípico e cultural, articulando-o como sombra coletiva, potência do excesso e figura de resistência. O percurso teórico aborda a construção do corpo magro como persona neoliberal e do corpo gordo como sombra cultural; a conceituação junguiana da sombra e a crítica de Hillman (2010) ao monoteísmo psíquico; e a leitura do corpo gordo a partir da imagem dionisíaca como manifestação vital que desafia a norma. Integram-se também diálogos com Haraway (2025) e Preciado (2023) sobre corpo, contaminação e hibridização, que deslocam a corporeidade para o campo da multiplicidade e da diferença. A discussão clínica destaca a importância de uma escuta sensível, capaz de reconhecer o corpo gordo em sua ambivalência simbólica, evitando tanto sua patologização quanto sua idealização. Como contribuição, a pesquisa desloca o corpo gordo do campo da patologia para o campo do símbolo, afirmando sua potência crítica, ética e transformadora. Esse deslocamento amplia a compreensão de saúde, corpo e subjetividade, propondo uma ética de escuta e reconhecimento diante das normatividades corporais dominantes. Assim, o corpo gordo se revela não apenas como questão clínica, mas como experiência política e simbólica, convite à revisão das estruturas culturais e psíquicas que sustentam o padrão hegemônico de corporeidade.
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Referências
Este artigo propõe uma leitura simbólica e crítica do corpo gordo, articulando a Psicologia Analítica com autores contemporâneos da crítica cultural e política. A partir da prática clínica com pacientes em sofrimento relacionado ao corpo e à alimentação, busca-se compreender o corpo gordo não como falha individual, mas como expressão viva de tensões culturais, políticas e psíquicas. Adota-se uma abordagem teórico-conceitual, de caráter crítico, apoiada na análise de conceitos arquetípicos, narrativas culturais e discursos normativos. A investigação compreende o corpo gordo como símbolo arquetípico e cultural, articulando-o como sombra coletiva, potência do excesso e figura de resistência. O percurso teórico aborda a construção do corpo magro como persona neoliberal e do corpo gordo como sombra cultural; a conceituação junguiana da sombra e a crítica de Hillman (2010) ao monoteísmo psíquico; e a leitura do corpo gordo a partir da imagem dionisíaca como manifestação vital que desafia a norma. Integram-se também diálogos com Haraway (2025) e Preciado (2023) sobre corpo, contaminação e hibridização, que deslocam a corporeidade para o campo da multiplicidade e da diferença. A discussão clínica destaca a importância de uma escuta sensível, capaz de reconhecer o corpo gordo em sua ambivalência simbólica, evitando tanto sua patologização quanto sua idealização. Como contribuição, a pesquisa desloca o corpo gordo do campo da patologia para o campo do símbolo, afirmando sua potência crítica, ética e transformadora. Esse deslocamento amplia a compreensão de saúde, corpo e subjetividade, propondo uma ética de escuta e reconhecimento diante das normatividades corporais dominantes. Assim, o corpo gordo se revela não apenas como questão clínica, mas como experiência política e simbólica, convite à revisão das estruturas culturais e psíquicas que sustentam o padrão hegemônico de corporeidade.