A gaiola de ouro: Reflexões junguianas sobre o aprisionamento na anorexia nervosa
Palavras-chave:
anorexia nervosa, transtornos alimentares, gaiola de ouro, aprisionamento, psicologia analíticaResumo
O presente artigo, fundamentado na psicologia analítica, discute o tema do aprisionamento nos transtornos alimentares, especialmente na anorexia nervosa, a partir da imagem da gaiola de ouro proposta por Hilde Bruch. Esse símbolo é explorado em suas diferentes dimensões: como prisão que, ao mesmo tempo em que confina, também protege; e como expressão do caráter egossintônico da anorexia, no qual a recusa e o perfeccionismo são valorizados. Aborda-se ainda a lógica da recusa, que ultrapassa o alimento e se estende ao desejo, ao afeto e ao outro; bem como a esterilidade da perfeição, ilustrada pelo mito de Midas. Por fim, discute-se a fragilidade presente na anorexia nervosa, evocada pelas imagens do pássaro na gaiola e da redoma de vidro, que condensam a vulnerabilidade e o isolamento característicos dessa vivência.
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